SÃO COSME E DAMIÃO – 27 de setembro

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A1Cosme e Damião se chamavam, na realidade, Acta e Passio. Naturais da Arábia e pertencentes a uma família nobre, os dois irmãos gemeos, quando alcançaram a idade adequada, iniciaram os estudos de medicina na Síria, e ao terminá-los seguiram para uma região da Ásia Menor conhecida como Egéia, à beira do mar Egeu, onde tomaram conhecimento do cristianismo e se transformaram em seguidores de Cristo.

Na época, o imperador romano era Deocleciano (245-313), que transformara o império em uma tetrarquia ao entregar a Maximiano a administração da Itália, Sicília e África; a Constâncio Claro, a da Espanha e Gália; a Galério, a das possessões do Danúbio e a Acaia; e reservando para si a da Trácia, do Egito e Ásia.

Eles reinavam em perfeita harmonia e com isso foi possível restabelecer a ordem no interior e restaurar as fronteiras do império, que Deocleciano procurou fortalecer com o renascimento do paganismo. Por esse motivo, os últimos anos de seu reinado foram marcados por uma violenta perseguição aos cristãos, já que o imperador os via como uma ameaça à sua autoridade.

Cosme e Damião exercitavam sua arte médica na região onde viviam, confiando na força das orações e no poder divino. Isso despertou a atenção das autoridades romanas, que mandaram prendê-los sob a acusação de que eram inimigos dos deuses pagãos. Acusados da prática de feitiçarias e do uso de meios diabólicos para promover a cura dos seus pacientes, eles responderam: “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo seu poder”. Então as autoridades ameaçaram: “É preciso que adoreis os deuses, ou então serão torturados”, e eles disseram: “Teus deuses não têm poder algum. Nós adoramos o Criador do Céu e da Terra!”. Assim, diante desse posicionamento dos irmãos, os romanos primeiro os martirizaram barbaramente, e depois os decapitaram. O ano em que isso aconteceu não pode ser confirmado, mas provavelmente foi no século 4,.em Ciro, cidade vizinha a Antioquia, Síria.

Existem, porém, outras versões para a morte dos dois irmãos, embora nenhuma delas possa ser comprovada por documentos históricos. Uma, por exemplo, relata que eles teriam sido amarrados e atirados do alto de um despenhadeiro, acusados que foram da prática de feitiçaria e de serem inimigos dos deuses romanos. Outra sustenta que na primeira tentativa de sua execução, os soldados tentaram afogá-los, mas anjos desceram do céu e os salvaram; na segunda, pretenderam queimá-los, mas as chamas não lhes causaram danos; na terceira, foram apedrejados, porém as pedras não os atingiam porque retornavam às mãos de quem as havia lançado, por fim, os carrascos cortaram-lhes as gargantas.

Os restos mortais de Cosme e Damião foram levados para a Síria, e mais tarde, no século 6, uma parte das relíquias encaminhada a Roma e depositada na igreja que adotou o nome dos santos, e outra guardada no altar-mor da igreja de São Miguel, em Munique, Baviera. Venerados como padroeiros dos médicos e farmacêuticos, em virtude da atividade que exerciam, e também invocados como protetores das crianças – pois os dois mártires eram alegres, verdadeiros e inocentes como elas -, São Cosme e Damião são comemorados no dia 26 de setembro.

Um outro relato sobre Cosme e Damião dá conta de que quando o imperador Justiniano I, imperador bizantino, ficou gravemente enfermo por volta de 530, deu ordens para que se construísse, em Constantinopla, uma grandiosa igreja em honra dos seus protetores. Mas a fama dos dois correu rápida também no Ocidente, a partir de Roma, com a basílica dedicada a eles sendo construída, a pedido do papa Félix IV, entre 526 e 530. Tal solenidade ocorreu num dia 26 de setembro; razão pela qual os dois santos passaram a ser festejados nesta data. Apesar disso, os nomes de são Cosme e são Damião são pronunciados todos os dias, no mundo inteiro, porque a partir do século 6 eles foram incluídos no cânone da missa, fechando o elenco dos mártires citados.

Embora o calendário da Igreja Católica reserve o dia 26 de setembro como o Dia de São Cosme e São Damião – uma forma de diferenciá-lo dos ritos africanos -, a tradição popular cristã e as religiões afro-brasileiras comemoram os “santos gêmeos” geralmente no dia 27, um dia depois dos festejos realizados no Brasil.