PAPAGAIO DE BICO LARGO

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Situada no arquipélago de Mascarenhas, no oceano Índico, 720 quilômetros a leste da ilha de Madagascar e na mesma latitude do Rio de Janeiro, no Brasil, a ilha Maurícia (denominada, antigamente, Ilha de França) foi descoberta pelos portugueses em 1505.

De origem vulcânica e montanhosa, ela foi ocupada por vários dominadores. Depois dos lusitanos, os holandeses, de 1598 a 1710, sendo seu nome uma homenagem a Maurício de Nassau; príncipe de Orange, morto em 1625. Em seguida foram os franceses até 1810; ano em que os ingleses a capturaram, apossando-se dela definitivamente em 1814. Proclamando sua independência em 1968, tornou-se república em 1992 e em seguida membro da Commonwealth, uma organização intergovernamental composta por 54 países-membros independentes. Todos eles, com exceção de Moçambique (antiga colônia do Império Português) e Ruanda, faziam parte do Império Britânico, do qual se desenvolveram.

Em 1505, ao desembarcarem na ilha, os portugueses encontraram uma ave azul acin-zentada e de cauda longa, com uma espécie de crista na cabeça. Suas asas atrofiadas provavelmente não lhe permitiam voar. Acredita-se que os machos e as fêmeas da es-pécie possivelmente tinham tamanhos diferentes, sendo tal suposição baseada em ave semelhante que viveu na mesma ilha, de tamanho menor e coloração cinzenta, estu-dada pelos pesquisadores através de ossos recolhidos e batizada por eles com o nome de papagaio-cinzento-das-maurícias .

Para muitos, o achado possivelmente corresponderia às fêmeas do papagaio-de-bico-largo, tratando-se, portando, de um caso de disformismo sexual (que ocorre quando indivíduos do sexo masculino e feminino de uma espécie apresentam características físicas não sexuais marcadamente diferentes).

O detalhe físico mais marcante dos papagaios-de-bico-largo era o seu bico.de aparência frágil, mas plenamente adaptado para esmagar os frutos de maiores dimensões e permitir que assim fossem engolidos pelas aves, inclusive o caroço. Em razão dessa particularidade, foi sugerida a possibilidade de que tenham sido elas, e não o dodô (extinto) as responsáveis pela multiplicação da árvore-dodô (Sideroxylon grandiflorum), também conhecida como calvária ou tambalacoque, e originária das Ilhas Maurício.

A extinção dessas aves ocorreu no século 17, certamente provocada pela ocupação humana dos locais habitados por elas, além da introdução de novos animais carnívo-ros, como cães, porcos e ratos. Já que não voava em virtude das asas atrofiadas que possuíam, as fêmeas da espécie provavelmente faziam seus ninhos no chão, o que facilitava a ação dos predadores na captura dos ovos e do próprio pássaro.

O papagaio-do-bico-largo nunca foi documentado em vida por cientistas, sendo conhe-cida apenas por meio de desenhos e relatos feitos pelos primeiros exploradores que chegaram às ilhas, e também dos ossos que mais tarde encontrados pelos pesquisado-res.