ONÇA PRETA

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A onça preta, ou pantera negra, como muitos preferem chamá-la, pertence à família dos felinos, que reúne no Brasil espécies como a onça-pintada, a suçuarana, a jaguatirica e algumas variedades de gato-do-mato, como a mourisco e maracagá. Mamífero carnívoro, ela é encontrada do sul dos Estados Unidos (Arizona, Texas e Novo México) até a Patagônia, na Argentina, tendo como habitat as florestas tropicais e subtropicais, incluindo, ainda, o cerrado, a caatinga e o pantanal.

O Brasil tem em sua fauna onças de três cores – pintada, parda e negra. Mas enquanto a pintada e a parda são consideradas espécies diferentes de felinos, inclusive com tamanhos desiguais, o mesmo não acontece com a negra, que por ser classificada geneticamente como onça-pintada, tem sua cor atribuída a uma anormalidade. Na verdade, a onça-preta possui na pele maior quantidade da proteína (melanina) responsável pela coloração da pele, dos olhos e dos pêlos humanos e de outros animais, daí a razão da coloração de sua pelagem. Em virtude dessa dessemelhança já tentaram qualificá-la como uma nova espécie, o que não prevaleceu porque da mesma forma como em meio a uma ninhada de onças-pintadas pode nascer uma onça-preta, o cruzamento de animais dessa cor também pode gerar uma onça-pintada.

Com peso que ultrapassa os cem quilos, altura em torno de 60 centímetros, e comprimento variando entre 2,5 e 3 metros (do focinho à ponta da cauda), a onça-preta tem como base de sua alimentação os mamíferos de grande porte, principalmente a anta, o veado, a capivara e o porco-do-mato, mas também é capaz de incluir na dieta, dependendo da necessidade de comida, as tartarugas, jabutis e até mesmo jacarés. Ela pode viver até vinte anos (conseguindo chegar aos 28, quando em cativeiro), atingindo sua maturidade sexual aos três. O período de gestação dura de 93 a 110 dias, ao final do qual podem nascer até três filhotes que são amamentados pela mãe durante quatro meses, mas permanecendo junto a ela durante dois anos. O macho raramente ajuda a fêmea na criação dos filhotes, podendo, inclusive, matar e a comer as crias quando a época é de pouca caça.

Musculosa e extremamente ágil, além de silenciosa e furtiva nas andanças em busca de comida, a onça-preta se vale não só das garras longas e afiadas que possui, mas também dos dentes que funcionam como perigosas armas de ataque e defesa, para se colocar entre os predadores mais eficientes do reino animal. Suas patas podem desferir patadas com força equivalente a 200 quilos, bastando-lhe um só golpe para matar o animal que ataca, ou então derrubar presas com quase quatro vezes seu próprio peso. Ao mesmo tempo em que a forte musculatura das pernas traseiras lhe permite saltar distância igual a algumas vezes o seu tamanho, concedendo-lhe dessa forma a rapidez necessária nos momentos em que precisa surpreender a vítima, o pêlo escuro corresponde a uma camuflagem de muita valia na pouca claridade das florestas fechadas, onde a luz solar pouco penetra, o que dá a ela grande vantagem na hora da caça.

A visão da onça-preta, assim como a de todos os felinos, é mais apurada que a dos humanos. Na escuridão total ela não vê quase nada, mas é capaz de enxergar com muito pouca luz – o equivalente a algo entre 40% e 50% a mais que os humanos. Seus olhos têm uma estrutura que provoca dupla estimulação dos receptores responsáveis pela percepção de cores e formas: os cones e bastonetes (que os felinos, ainda por cima, têm três vezes mais que os humanos).

Segundo os especialistas, o reflexo dessa camada espelhada é que produz aquele brilho esverdeado que vemos à noite nos olhos dos felinos, mesmo princípio utilizado nos sinalizadores de estradas conhecidos como olhos-de-gato. Além disso, sua pupila dilata três vezes mais que a humana, permitindo a entrada máxima de luz bem nos momentos em que sai à caça, ou seja, na aurora e crepúsculo. Em compensação, quando exposta ao sol, ela se reduz a uma fenda mínima, contrabalançando essa hipersensibilidade à luz. Assim, durante o dia a visão da onça-preta não é boa, já que ela distingue mal as cores e não enxerga bem de longe.

A onça-preta tem excelente equilíbrio devido ao funcionamento do seu ouvido interno, o que lhe permite corrigir sua posição ainda no ar, para cair no chão apoiando-se sempre nas quatro patas. Capaz de modificar com facilidade seu comportamento para adaptar-se ao meio-ambiente, ela é uma criatura solitária – o que não acontece apenas nas épocas de reprodução -, tão boa nadadora que atravessa os maiores rios com facilidade, trepa em árvores com rapidez e sem a menor dificuldade, comunica-se com exemplares da mesma espécie através da emissão de vários sons, e demarca o seu território de caça, que normalmente abrange uma área de 10 a 40km2, variando de acordo com a disponibilidade de alimento e com cada ecossistema.

Seu sentido de olfato supera o dos seres humanos, e sua língua, coberta com centenas de filamentos finíssimos, desempenha diversas tarefas, como a de retirar a carne dos ossos de suas presas, lavar e pentear a pelagem, secar os pêlos molhados e até para atuar no sistema de controle da temperatura corporal. A onça-preta não mastiga seus alimentos; ela os retalha e engole dessa forma.

Atualmente, devido à caça intensa de que vem sendo vítima em virtude principalmente da beleza de sua pele, a onça-preta está incluída na lista dos animais seriamente ameaçados de extinção.