NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS – 27 de novembro

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A1O dia era 27 de novembro de 1830, e o lugar a capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paula. Em certo momento, enquanto Catarina Labouré meditava naquele local, ela teve a visão da Virgem Maria de pé sobre um globo, tendo entre as mãos outro globo menor, encimado por uma cruzinha de ouro. Dos seus dedos, anéis com pedras preciosas emitiam raios luminosos em todas as direções, e Nossa Senhora, num gesto de súplica, oferecia ao Senhor o pequeno globo que segurava.

Ao detalhar a visão, Catarina declarou o que a Virgem Santíssima lhe dissera: “Este globo que vês representa o mundo inteiro(…) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem”.

Continuando, disse a irmã que nesse momento o globo que Nossa Senhora segurava desapareceu e que suas mãos inclinaram-se para a terra em atitude amorosa, ao mesmo tempo em que um quadro oval formou-se em volta dela, dentro do qual podiam ser lidas as palavras “Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós” . Nesse instante, prosseguiu Catarina, ouvi uma voz que dizia: “Faça cunhar uma medalha por este modelo. Todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem no pescoço. As graças serão abundantes, principalmente para aqueles que a usarem com confiança”. Então o quadro mostrou a outra face, onde aparecia a letra “M” tendo em cima uma cruz, e na base, um terço. Por baixo do “M” podiam ser vistos os corações de Jesus, cercado por uma coroa de espinhos, o de sua Mãe Santíssima, atravessado por uma espada, enquanto uma coroa de doze estrelas contornava todo o quadro.

A promessa efetivamente se cumpriu. Quando iam ser cunhadas as primeiras medalhas, uma terrível epidemia de cólera, proveniente da Europa oriental, atingia Paris. O flagelo se manifestou a 26 de março de 1832, e se estendeu até meados do ano. A 1º de abril, faleceram 79 pessoas; no dia 2, 168; no dia seguinte, 216, e assim foram aumentando os óbitos, até atingirem 861 no dia 9. No total, faleceram 18.400 pessoas, oficialmente. Na realidade, esse número foi maior, dado que as estatísticas oficiais e a imprensa diminuíram os números para evitar a intensificação do pânico popular. No dia 30 de junho, foram entregues as primeiras 1500 medalhas que haviam sido encomendadas à Casa Vachette, e as religiosas Filhas da­ Caridade começaram a distribuí-las entre os flagelados. Na mesma hora refluiu a peste e começaram, em série, os prodígios que em poucos anos tornariam a Medalha Milagrosa mundialmente célebre.

O Arcebispo de Paris, que autorizara a cunhagem da Medalha e recebera logo algumas das primeiras, alcançou imediatamente uma graça extraordinária por meio delas, e passou a ser propagandista entusiasta e protetor da nova devoção. Também o Papa Gregório XVI recebeu um lote de medalhas, e passou a distribuí-las a pessoas que o visitavam.

Até 1836, mais de 15 milhões de medalhas tinham sido cunhadas e distribuídas, no mundo inteiro. Em 1842, essa cifra atingia a casa dos 100 milhões. Dos mais remotos países chegavam relatos de graças extraordinárias alcançadas por meio da medalha: curas, conversões, proteção contra perigos iminentes etc.

O Arcebispo de Paris, que autorizou a cunhagem, instaurou inquérito sobre a origem e efeitos da medalha que o povo passara a chamar de “Medalha Milagrosa”, ou “Medalha de Nossa Senhora das Graças”, e a conclusão foi a seguinte: “A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, e os admiráveis benefícios e graças obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha”.

Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, porque Catarina ouviu no início da visão as seguintes palavras: “Estes raios são o símbolo das graças que Maria Santíssima alcança para os homens”. A data de sua comemoração é 27 de novembro.