MILHO

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MILHO 1Uma das primeiras providências tomadas por Colombo ao chegar a Cuba, em 1492, foi enviar ao interior da ilha uma expedição de reconhecimento que, ao voltar, trouxe alguns grãos amarelos. Denominados maiz pelos nativos, serviam como base de sua alimentação, principalmente depois de secos e transformados em farinha. Era o milho. Seu sabor agradável induziu os europeus a levá-lo para o Velho Mundo, e a partir daí, em duas gerações o milho expandiu-se por toda parte, deixando no esquecimento a origem americana (vestígios de milho foram encontrados na América em fósseis de até 4.000 anos).

Do Canadá à Argentina a cultura do milho era pouco trabalhosa, e sua colheita relativamente abundante. O método de plantio, quase idêntico em todas as regiões, consistia na derrubada das matas, queima da vegetação e semeadura nas cinzas. As chuvas e o tempo se incumbiam de fazê-lo brotar, e em poucos meses as espigas estavam em condições de serem colhidas.

O milho pertence à família das gramíneas, com o nome científico de Zea mayz. É planta anual, de caule reto e robusto, atingindo até três metros de altura. As raízes distribuem-se em cabeleira, e as folhas compridas e largas, de bordas lisas, dispõem-se alternadamente pelo caule. Trata-se de planta monóica, isto é, o mesmo pé possui flores dos dois sexos: as masculinas reúnem-se em inflorescência do tipo panícula (cacho em forma piramidal, no alto do caule), e são conhecidas como “pendão” do milho, enquanto as femininas agrupam-se em outras inflorescências situadas nas axilas das folhas (local onde elas se ligam ao caule). São protegidas por várias folhas envolventes e grossas, e fixam-se em torno de um centro carnoso ao qual se dá o nome de sabugo. De cada uma dessas flores sai um estilete muito comprido, popularmente denominado “barba”, ou “cabelo”. Todo o conjunto é chamado de “boneca” do milho.

MILHO 2Como os milhares de grãos de pólen existentes no pendão são muito leves, o vento os transporta facilmente. Ao cair sobre os estigmas, parte receptiva dos estiletes, ou “barba do milho”, é feita a “polinização”. Os óvulos, depois de fecundados, constituirão os frutos (ou grãos), seiscentos a setecentos por espiga, em média.

O número de variedades de milho provavelmente ultrapassa o de qualquer outra planta cultivada, todas mostrando uma quantidade de formas e cores que tornam difícil sua classificação. Existem em todo o mundo cerca de duzentos tipos de milho, embora comercialmente apenas um número bem menor deles seja importante, de acordo cm a textura dos grãos. Do ponto de vista cientifico, o milho é uma planta exigente, não suportando terrenos ácidos, nem clima seco ou frio.  Exige um solo razoavelmente fértil, sendo por isso aconselhável a rotação de culturas. A época ideal para o plantio é o início da estação das chuvas (outubro e novembro, no centro-sul do Brasil). A fim de atenuar os danos causados pelas pragas, o milho deve ser colhido no momento certo e guardado em local desinfetado, porque mesmo após a colheita ele corre o risco de ser atacado por carunchos (mas pode ser protegido com inseticidas apropriados, comuns no comércio). Também os ratos costumam atacar o cereal armazenado.

MILHO 3Rico em amidos e proteínas, o milho carece de dois aminoácidos essenciais – a lisina e o triptofano. Puro ou como ingrediente de outros produtos, é uma importante fonte energética para o homem. Ao contrário do trigo e o arroz, que são refinados durante sua industrialização, o milho conserva sua casca, que é rica em fibras, fundamental para a eliminação das toxinas do organismo humano. Além delas, o grão de milho é constituído de carboidratos, proteínas e vitaminas do complexo B, possuindo bom potencial calórico, grandes quantidades de açúcares e gorduras, e vários sais minerais (como ferro, fósforo, potássio e zinco). No entanto, é rico em ácido fítico, que dificulta a absorção dos mesmos.

O milho é um dos cereais mais usados no Brasil. Todas as regiões têm pelo menos um prato típico preparado com ele. Entre os mais conhecidos estão o bolo de milho, o curau (uma espécie de mingau doce), a polenta, a pamonha, o cuscuz salgado  (uma iguaria muito utilizada no café da manhã dos nordestinos) e a broa de milho. Outro prato típico muito apreciado em todo o país durante os festejos juninos é a canjica, feita com milho branco, açúcar, leite de vaca e de coco, cravo e canela. Apesar disso, somente um pequeno percentual da produção brasileira é destinado atualmente ao consumo humano, e mesmo assim,  na composição de outros produtos. Isto se deve principalmente à falta de informação sobre o cereal e à ausência de uma divulgação maior de suas qualidades nutricionais, bem como aos hábitos alimentares da população brasileira, que privilegia outros grãos.

Em países subdesenvolvidos, as crianças às vezes são alimentadas com uma dieta à base de milho, o que pode provocar uma doença chamada pelagra (conhecida como a doenças dos três “Ds”: dermatite, diarréia e demência), resultado da carência de niacina. Porém, se consumido com feijão e outras leguminosas, o milho proporciona uma proteína completa. Ele não contém glúten, razão pela qual os portadores da doença celíaca podem comer seus produtos e derivados.

A cultura do milho, ao lado da soja, é uma das pontas-de-lança da recente expansão da atividade agrícola brasileira. Seu cultivo é altamente beneficiado pela tecnologia e pelas inovações da pesquisa agrícola, sendo um dos principais casos de sucesso da chamada revolução verde.

Fonte: Alimentos Saudáveis – Alimentos Perigosos