FEIJÃO

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FEIJAO 1 Base da alimentação popular no Brasil, o feijão é uma planta leguminosa originária da Ásia tropical e América Latina (México, Guatemala, montanhas do norte ocidental da Argentina e pantanal do Mato Grosso) que se espalhou rapidamente pelo mundo em razão do seu fácil cultivo e grande valor alimentício. Essa ampla difusão permitiu a criação de centenas de variedades que, quanto ao porte, dividem-se em dois grupos: o das anãs (ou de arrancar) e a das trepadoras (ou de corda).

Durante muito tempo pensou-se que o feijão (nome derivado de uma antiga embarcação grega, de forma semelhante) fosse originário apenas da Índia, pois sua introdução na Europa seguiu-se à época dos grandes descobrimentos marítimos do século 15, mas pesquisas arqueológicas nos túmulos incas levaram a descoberta de sementes, a partir das quais se pôde calcular que o cultivo do feijão já era conhecido na América há 7.000 anos. No Brasil, o plantio do feijão também era familiar aos indígenas, atingindo particular importância no período colonial, o que ficou evidenciado principalmente com a introdução do macassar (feijão-caupi ou feijão-de-corda), oriundo de antiga possessão portuguesa na Ásia (hoje Indonésia), variedade que por suas qualidades de resistência e adaptação às condições adversas do norte e nordeste brasileiro predomina até hoje nessas regiões.

O feijoeiro tem raiz curta, pouco aprofundada no solo, e uma haste aérea ramificada. Suas flores são formadas por cinco pétalas brancas, amareladas ou rosadas, e seu fruto é uma vagem estreita de 10 a 20 centímetros de comprimento, que quando madura costuma assumir a cor da palha. Dentro dela encontram-se as sementes (ou feijões) em forma de rim, que conforme a variedade têm tamanho, coloração e sabores diferentes. Existem muitos tipos de feijão, e dentre eles alguns dos mais conhecidos são o feijão-preto, o feijão-roxinho, o feijão-fradinho, o feijão-branco, o feijão-jalo e o feijão-carioquinha, que de todos é o mais cultivado e consumido pelos brasileiros. Ele foi desenvolvido em 1969, no Instituto Agronômico, em Campinas/SP, baseado em amostras de origem não conhecida, mostrando ser planta muito superior às cultivadas na época, tanto em quesitos de resistência às pragas quanto em produtividade. Uma intensa campanha foi lançada para divulgar o produto tanto para os agricultores quanto para as donas-de-casa. Surgiram dúvidas sobre se o mercado aceitaria aquele feijão listrado, quando os tipos mais consumidos na época eram todos de cor uniforme, mas com persistência e com a excelência do produto, as resistências foram vencidas.

Todos os tipos de feijão podem ter variedades precoces ou tardias, e variedades de horta ou de campo. As chamadas variedades de horta são colhidas quando a vagem ainda se encontra imatura, isto é, verde, e sem membranas, sendo ótimas para a culinária. As variedades de campo são cultivadas em maior escala, pois delas depende a produção de grãos secos. Em algumas regiões do país, principalmente no nordeste, o feijão de trepar presta-se admiravelmente para ser cultivado junto com todas as gramíneas forrageiras; a plantação de uma fileira deles em um milharal, por exemplo, serve para fertilizar o solo e beneficiar as futuras plantações.

FEIJAO 2Nada influi mais na plantação do feijão que a época do ano. Condições climáticas como a seca, o excesso de chuvas, temperaturas muito elevadas ou muito baixas, além de luminosidade intensa, afetam o rendimento das culturas, que varia segundo as regiões de plantio. No Norte e Nordeste, por exemplo, a época de semeadura vai de janeiro a maio; no centro-sul há duas temporadas: uma, de janeiro a março (plantio da seca), e outra que se estende de setembro a novembro (plantio das águas).

O excesso de umidade e de chuvas acarreta a deterioração dos grãos ou prejudica o desenvolvimento da planta (que é facilmente atacada por fungos). Água em excesso favorece também a germinação das sementes no interior das vagens, provocando o desperdício de grande parte da colheita. Prolongados períodos de seca também são prejudiciais aos feijoeiros, pois seu crescimento se torna anormal, com vagens que amadurecem e secam antes que os grãos estejam totalmente desenvolvidos. O feijão assim colhido é de péssimo gosto, sendo por isso desvalorizado no mercado.

O ciclo vegetativo do feijão varia de 90 a 120 dias, e a colheita é feita quando as vagens atingem o ponto certo de maturação e encontram-se completamente secas. Arrancadas e transportadas para terreiros, são então distribuídas em camadas. Após dois ou três dias sofrem o processo de debulha a poder de varadas, trabalho denominado “bateção”. As sementes são separadas por ventilação em peneiras, o que facilita a eliminação de grande parte das impurezas. Tanto as vagens quanto s grãos secos do feijão são ricos em proteínas, ferro, tiamina, cálcio e outros nutrientes. Cinqüenta gramas de feição podem fornecer 20% de ferro, 20% de tiamina e cerca de 15 de cálcio.

O feijão é um dos alimentos básicos de vários povos, principalmente dos brasileiros, constituindo sua principal fonte de proteína vegetal. Nas sementes, o teor protéico varia de 15 a 33%, sendo ainda um alimento energético com 341 cal/100 g. Graças às suas comprovadas propriedades nutritivas e terapêuticas, o feijão é altamente desejável como componente em dietas de combate à fome e à desnutrição. Ademais, ocorre uma interessante complementação protéica quando o feijão é combinado com cereais, especialmente o arroz, proporcionando, em conjunto, os oito aminoácidos essenciais ao nosso organismo.

Além do seu conteúdo protéico, o elevado teor de fibra alimentar, aliado às vitaminas (especialmente do complexo B) e aos carboidratos, tornam o seu consumo altamente vantajoso como alimento funcional, representando importante fonte de nutrientes, de energia e atuando na prevenção de distúrbios cardiovasculares e vários tipos de câncer.