ELEFANTE

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O elefante é um mamífero cujo corpo atinge de três a quatro metros de altura e seu peso oscila em torno de cinco a seis toneladas, o que faz dele o animal de maior porte existente na atualidade (seus antepassados pré-históricos, os mastodontes e mamutes, tinham dimensões ainda maiores). Uma das características do elefante é o seu nariz prolongado numa probóscide (tromba) com até dois metros de comprimento, que além da função olfativa também tem a de preensão dos alimentos e da água, ou seja, é através desse órgão que o animal leva à boca a comida e a água de que necessita  Na extremidade da tromba situam-se as narinas e um apêndice de extrema sensibilídade, que permite ao animal agarrar e erguer objetos de tamanho diminuto.

Os elefantes atuais se classificam em duas espécies, uma habitando o sudeste asiático, e a outra o continente africano, ambas vivendo em famílias ou em grupos formados por até cem indivíduos, nas florestas das planícies ou das montanhas, em locais onde haja água em abundância, alimentando-se preferentemente de ramos tenros de árvores e de ervas e frutas, dos quais cada um deles pode ingerir diariamente entre 70 a 150 quilos. O período de gestação das fêmeas é longo (de 20 a 22 meses), assim como o desenvolvimento dos filhotes, que podem nascer com 90k de peso e levam anos para atingir a idade adulta.  As fêmeas, lideradas por uma matriarca, vivem em manadas de 10 a 15 animais, compostas por várias reprodutoras e crias de idades variadas; já os machos adolescentes tendem a viver em pequenos bandos, enquanto os machos adultos preferem o isolamento, encontrando-se com as fêmeas apenas no período reprodutivo. Conhecidos pela sua docilidade, eles atacam o homem e outros animais geralmente para se defender, mas quando enfurecidos, se tornam extremamente perigosos.

Os elefantes são possuidores de grande força, capacidade que aliada á sua condição de animais dóceis e facilmente amestrados, faz com que sejam domesticados na Índia e utilizados em trabalhos nos quais esse vigor físico se torna necessário. Já o mesmo não acontece com o elefante africano, também suscetível de doma e ensinamento como o seu irmão asiático, porque os nativos locais não aprenderam a utilizá-lo. Um dos característicos que diferenciam os elefantes africanos dos asiáticos é o tamanho das orelhas, sendo as dos africanos muito maiores. A Ásia é considerada a pátria original dos elefantes, os quais, em formas variadas e numerosas, dispersaram-se durante o final do plioceno e início do pleistoceno, nos períodos terciário e quaternário (eras biológicas que ocorreram há mais de um milhão de anos), por toda a Eurásia, bem como pela África e América do Norte.

Os representantes fósseis mais antigos do grupo dos elefantes pertencem ao plioceno, idade áurea dos mamíferos e tempo em que também emergiu o “homo erectus”. As dimensões do antigo elefante variaram enormemente, desde os colossais mamutes e mastodontes (ilustração abaixo), até as subespécies ou raças anãs que habitaram a região do Mediterrâneo durante o quaternário antigo, e que se relacionavam com o Elephas antiquus, considerado o mais colossal dos elefantes conhecidos

Sendo animais que ainda hoje, como acontecia ontem, impressionam pela aparência, tamanho, força, robustez e resistência, eles foram aproveitados nos tempos antigos para fortalecer exércitos e decidir batalhas em que os soldados lutavam cara a cara, usando espada contra espada, lança contra lança, maça contra maça. Foi então que se tornaram famosos os elefantes de guerra cujo emprego originou-se na Índia. Guiados por um homem sentado em seu pescoço, arreados e freqüentemente providos de pequenas torres sobre o dorso, eles investiam ora contra a cavalaria inimiga – pois os cavalos, não habituados àqueles animais, fugiam carregando os cavaleiros -, ora para romper as linhas de infantaria. Porém, não era raro eles também se assustarem e retrocederem semeando o pânico entre as próprias tropas que os empregavam. Nesses casos, os guias tinham ordem de matá-los.

Foi na batalha de Idaspe, ocorrida em 326 antes de Cristo, que os gregos se viram pela primeira vez diante de elefantes usados como armas de guerra, lutando então contra duzentos desses animais postos em combate pelo rei indiano Poro. Alexandre Magno levou da Índia, igualmente, cerca de duzentos, que posteriormente foram utilizados por todos os seus sucessores nas lutas em que se envolveram. Os egípcios também recorreram em grande escala aos elefantes africanos, o mesmo acontecendo com os cartagineses, que empregavam na guerra exemplares pertencentes a uma raça local atualmente extinta, cujo habitat natural era o maciço do Atlas, sistema montanhoso com 2.300km de comprimento por 300 de largura, que se estende do Marrocos à Tunísia, atravessando a Argélia.

Por sua vez, os romanos conheceram os elefantes de guerra, pela primeira vez, na batalha de Heracléia, contra Pirro (280 a.C.), rei de Epiro, na qual este saiu vencedor graças, em grande parte, ao terror infundido aos inimigos por vinte elefantes que o exército epirota pusera em ação. A esta vitória seguiu-se outra, em Asculum, mas as perdas foram tão elevadas que ali se originou a expressão vitória de Pirro, aplicada aos triunfos que custam mais do que valem. Mais tarde, as tropas de Roma enfrentaram freqüentemente os elefantes dos cartagineses, e ainda na mesma época, os empregados pelos persas sassânidas, surgindo daí seu desejo de utilizá-los. Mas só conseguiram realizá-lo no século 2 antes de Cristo, e mesmo assim em pequena escala.

Com o passar do tempo os elefantes já não mais atemorizavam os soldados que os enfrentavam, e como eram grandes e lentos, tornavam-se alvos fáceis dos arqueiros, lanceiros e cavaleiros que os feriam gravemente, assustando-os e provocando sua debandada. Por isso acabaram sendo esquecidos como armas de guerra.