DIA INTERNACIONAL DA MULHER – 08 DE MARÇO

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A1A criação do Dia Internacional da Mulher surgiu a partir de um episódio trágico. No dia 8 de março de 1857, cerca de 129 operárias de uma fábrica têxtil de Nova York entraram em greve. Elas reivindicavam salário igual ao dos homens a redução da sua jornada de trabalho de quatorze para dez horas, e o direito à licença-maternidade. Em resposta a essa pretensão das grevistas, os patrões e a polícia as trancaram no interior da fábrica e incendiaram o prédio. Com isso, todas as mulheres morreram queimadas

Na época desse lutuoso acontecimento, a manifestação realizada pelas operárias americanas chamou a atenção de quase todo o mundo não só pelo seu trágico desfecho, mas também por ter sido a primeira greve organizada exclusivamente por mulheres. Esse episódio terrível provocou a sensibilização da sociedade, e a partir dele a luta feminina por remuneração adequada e melhores condições de trabalho foI aumentando progressivamente, até que no ano de 1910 surgiu a idéia da criação de uma data específica que servisse para relembrar a morte das operárias e marcar o esforço desenvolvido pelo chamado sexo fraco em busca dos direitos reivindicados por suas representantes.

Naquele ano, durante a Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada na cidade de Copenhague, capital da Dinamarca, Clara Zetkin, famosa ativista dos direitos femininos, apresentou à assembléia proposta de que a data de 8 de março fosse declarada como sendo a do Dia Internacional da Mulher. A conseqüência dessa proposição foi que no ano seguinte mais de um milhão de mulheres européias se manifestaram favoravelmente a ela, e diante dessa formidável reação a data passou a ser comemorada no mundo inteiro. Felizmente, hoje em dia operárias em greve já não são mais queimadas. Ao longo dos anos decorridos após o triste acontecimento em terras americanas, a mulher veio conquistando, embora lentamente, parte dos direitos pelos quais ela vem lutando há mais de um século. No Brasil, o direito ao voto feminino só foi reconhecido pela Constituição de 1934, e a primeira governadora eleita cerca de sessenta  anos depois.

Antes do estabelecimento dessa data comemorativa, muitos homens e mulheres contribuíram com suas atitudes corajosas e desassombradas para que os direitos femininos fossem finalmente reconhecidos pela sociedade, como um todo. Conforme aconteceu no longínquo ano de 1792, na Inglaterra, quando Mary Wolstonecraft escreveu A Reivindicação dos Direitos da Mulher, defendendo a idéia de que meninas e moças pudessem aproveitar o seu potencial humano recebendo educação adequada.  Ou em 1822, no Brasil, quando a imperatriz Maria Leopoldina Josefa Carolina, exercendo a regência em virtude da ausência de seu marido D.Pedro I, que se encontrava em São Paulo, enviou-lhe uma carta onde advertia: “O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece”. E a independência foi proclamada. E também em 1827, ano em que foi promulgada a primeira lei permitindo que as mulheres freqüentassem as escolas elementares, embora mantivesse a proibição de que elas tivessem acesso às instituições de ensino mais avançado. Essa restrição foi afastada posteriormente, em 1879, quando o governo autorizou a presença feminina em escolas de ensino superior, não evitando, porém, que a sociedade criticasse aquelas que assim procedessem.

Após 1857, quando os acontecimentos de Nova Iorque comoveram os povos do mundo inteiro, o Brasil presenciou, em 1885, o sucesso da pianista e compositora Chiquinha Gonzaga, que estreou como maestrina regendo a opereta “A Corte na Roça”. Primeira mulher a desempenhar tal função, Chiquinha Gonzaga ganhou ainda mais notoriedade pelas mais de duas mil canções populares que compôs, entre elas “Ô Abre Alas”, a primeira marcha carnavalesca, e também pelas 77 peças teatrais que escreveu. Dois anos depois, em 1887, Rita Lobato Velho formou-se como a primeira médica no Brasil, e pouco depois, em 1893,  as mulheres da Nova Zelândia foram as primeiras, no mundo, a terem o direito do voto.

Apesar das mulheres terem seus direitos garantidos pela Constituição, as organizações feministas entendem que ainda há muita coisa a ser conquistada. Pela importância que a parcela feminina da população exerce na sociedade. – o último censo revela que dos 169.799.170 habitantes que tem o país, mais da metade, ou seja, cerca de 86.223.155, são mulheres –  o reconhecimento e o respeito aos seus direitos só poderão contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais saudável e mais feliz.