COBRA PITON DA BIRMÂNIA

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A família PythonidA1ae, que reúne as cobras pítons, possui várias espécies, das quais as mais conhecidas são a piton real (P. regius); a píton reticulada (P. reticulatus); e a píton da Birmânia, ou burmesa (P. molurus). Todas elas são serpentes constritoras, ou seja, quando enroladas nos animais que caçam, fazem nos mesmos, com o seu corpo, tamanha pressão que acabam matando-os por asfixia e parada cardíaca. Esses répteis não são venenosos, mas seus dentes afiados e curvados para trás lhes permitem morder e segurar firmemente as presas capturadas, que raramente conseguem livrar-se do ataque sofrido (conforme se vê na ilustração acima). Para conseguir isso as predadoras possuem quatro fileiras de dentes na parte superior (duas no lado esquerdo e duas no direito) e mais duas fileiras na parte inferior (uma de cada lado).

Naturais do Sudeste da Ásia e Indonésia, as pítons da Birmânia são animais terrestres e agressivos que vivem habitualmente em florestas e savanas, sempre perto de fontes de água, mas também sendo encontradas em campos de cultivo. De hábitos noturnos, elas têm como alimentação costumeira desde macacos e ratos, até veados, porcos e onças, mas não enjeitam, quando necessário, as aves, lagartos e outros vertebrados.  Com longevidade estimada em torno dos trinta anos, comprimento que pode chegar a mais de sete metros, e peso que em alguns casos ultrapassa os cem quilos, as fêmeas da espécie costumam desovar em apenas uma postura, entre 50 e 60 ovos, que ao invés de serem enterrados – como normalmente é feito pela maioria das cobras -, são protegidos e incubados pelas mães. Geralmente essas cobras evitam contato com humanos, e quando isto ocorre, algumas emitem um som originado pelo ar expirado dos pulmões, mas podem também dar botes defensivos.

Depois da postura a píton fêmea enrosca-se em volta dos ovos postos e começa a tremer em contrações ritmadas dos músculos, para elevar a temperatura do seu corpo até 7°C acima do ambiente, procedendo dessa forma porque tem sangue frio (precisa tomar sol para esquentar-se), e por isso não pode usar seu calor natural para incubar os ovos.  Além disso, em intervalos regulares a fêmea também mexe suavemente nos ovos a fim de permitir que cada um deles receba luz solar pelo tempo necessário.

Cada ovo é envolvido por uma resistente casca protetora, e sair de lá de dentro não é uma tarefa fácil. Para abrir seu caminho através dessa casca, os embriões de cobra possuem um aparelho especial, o dente do ovo, que na maioria das espécies é um prolongamento em curva no centro do lábio superior. Esse dente é geralmente chato e muito afiado, e o filhote o usa como uma serra, balançando a cabeça de um lado para o outro até abrir uma fenda na casca. Logo depois que seu dono sai da casca, esse dente cai.

A2Já faz algum tempo que cidadãos norte-americanos começaram a adquirir pítons, jibóias e falsas corais como “cobras estimação”, mas diante dos inúmeros acidentes fatais registrados pelas autoridades nos últimos vinte anos, muitos desses “colecionadores” preferiram livrar-se dos répteis que mantinham em casa abandonando-os nos pântanos úmidos de Everglades, no sul da Flórida. Tal atitude foi o passo inicial para a criação de um sério problema que hoje ameaça o ecossistema daquela região, relatado da seguinte forma pelo jornal Folha de São Paulo, edição de 16/10/1009:

“O instituto geológico americano US Geological Surgey está alertando para uma ‘invasão’ de cobras gigantes que ameaça a fauna nativa do país. Em relatório divulgado esta semana, o órgão afirma que algumas regiões americanas estão sendo invadidas por dezenas de milhares de pítons não nativas, que são uma séria ameaça à fauna americana. Segundo os cientistas, os pássaros, mamíferos e répteis dos Everglades – a região pantanosa da Flórida – nunca, antes, tiveram de enfrentar predadores tão grandes. Alguns deles têm seis metros de comprimento e pesam até 90 quilos”.

“As espécies píton burmesa e jibóia constritora já povoaram parte do sul da Flórida. Especialistas afirmam que muitas das cobras gigantes não-nativas foram jogadas na região dos Everglades pelos próprios donos dos animais, que as criavam como animais de estimação. Algumas foram jogadas porque ficaram grandes demais para serem criadas pelos donos, enquanto outras teriam escapado de suas jaulas durante o furacão Andrew, de 1969”.

“Os pântanos úmidos de Everglades são ideais para a proliferação de cobras grandes que podem colocar até 100 ovos de uma só vez, e o instituto americano afirma que tem poucos recursos para combater a rápida proliferação dos animais. – Estas cobras amadurecem cedo, produzem grandes quantidades de crias, viajam longas distâncias e têm dietas variadas e amplas que fazem com que possam comer a maior parte dos pássaros e mamíferos nativos -, esclarece o cientista Gordon Rodda, da USJS. O relatório diz, ainda, que as cobras, além de perigosas para os demais animais, constituem uma ameaça constante para os seres humanos, apesar de ressaltar que isso é mais raro. A maior parte das vítimas das cobras são pessoas que criam os animais em casa”.

Segundo a mitologia grega, Píton era uma grande serpente nascida do lodo do Dilúvio. Tinha cem cabeças, cujas goelas vomitavam chamas. Segundo a lenda, Hera (Juno), ordenou-lhe que perseguisse a ninfa Latona, grávida de Febo (Apolo) e Diana (Ártemis), cujo pai era Júpiter (Zeus). Por isso ela teve que fugir da ira da deusa suprema, que havia pedido à deusa Gaia que não cedesse lugar na terra onde Latona pudesse ter os seus filhos. Mas isso aconteceu na ilha Ortigia, após a ninfa fugir da serpente Píton, que mais tarde seria morta a flechadas por Febo.