CALCANHAR DE AQUILES

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CALCANHAR DE AQUILESEm seu Livro de Ouro da Mitologia, Thomaz Bulfinch diz que “Tétis, filha de Nereu e Dóris, era tão bela que o próprio Júpiter desejou desposá-la; tendo porém sabido pelo titã Prometeu que Tétis teria um filho maior que o pai, Júpiter desistiu da idéia e determinou que Tétis fosse esposa de um mortal. Com a ajuda do centauro Quiron, Peleu conseguiu desposar a deusa e seu filho foi o renomado Aquiles”.

Aquiles foi o mais famoso de todos os heróis imortalizados por Homero, poeta grego que viveu supostamente entre os séculos XI e VII antes de Cristo e tornou-se o autor da melhor literatura épica de todos os tempos. Nascido em Pitia, localidade situada no litoral da Tessália, ele foi banhado por sua mãe Tétis na lagoa de Estígia, cujas águas tinham o poder mágico de tornar invulnerável todo aquele que nelas fosse mergulhado.

Por isso Aquiles adquiriu essa faculdade, exceto no calcanhar, por onde sua mãe o havia segurado no momento em que o banhara. Ao tornar-se rapaz, sua educação ficou a cargo do tutor Fênix, com o qual aprendeu eloqüência e arte de guerra, e de Quiron, o mais célebre dos centauros, que o familiarizou com a medicina e o alimentou com medula de leões, para que ganhasse força e ardor másculo.

Pretendendo desmentir o oráculo que vaticinara a morte de seu filho na guerra de Tróia, Tétis o enviou à corte de Licomedes, rei de Ciro, disfarçado em mulher e com o nome de Pirra. Mas os gregos o localizaram e o convenceram a participar das lutas que começavam em virtude de Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta, ter sido raptada e levada por Páris para Tróia. No decorrer das inúmeras batalhas que se seguiram, Aquiles demonstrou engenho e grande valentia, e ao saber que seu amigo Pátroclo havia sido morto por Heitor, comandante do exército troiano, partiu em seu encalço, matou-o e em seguida o amarrou a seu carro pelos pés, arrastando por três vezes o corpo do inimigo ao redor das muradas da cidade sitiada.

No décimo ano da guerra de Tróia, Páris, ou Apolo com as feições de Páris, matou Aquiles cravando-lhe uma seta no calcanhar. Segundo outra versão, Aquiles foi morto traiçoeiramente por Páris no momento em que ia se casar. O mitólogo Alain Quesnel, em A Grécia – Mitos e Lendas, assim descreve a morte de Aquiles:

Chefiados por Aquiles, os gregos infligem sangrentas derrotas aos troianos. Aquiles parece invencível. É como se nem as flechas nem as espadas fossem capazes de atingi-lo. No entanto, o herói tem uma fraqueza secreta, e Apolo a revela a Páris. Quando Aquiles ainda era bebê, sua mãe mergulhou-o nas águas do Estige, um rio do inferno. Esse banho tornou-o invulnerável em todas as partes do corpo, menos no calcanhar por onde Tétis o segurou. Sabendo desse segredo, Páris estica o arco e, com a mão guiada por Apolo, faz pontaria no calcanhar do herói aqueu. Atingido por uma flecha envenenada, Aquiles cai e morre. Assim, os gregos perdem sua melhor oportunidade de tomar Tróia.

Da lenda mitológica grega restou a expressão empregada para designar o ponto fraco de alguém, e por isso se afirma que qualquer ser humano, por maior que seja o seu conhecimento ou a sua fortaleza, tem um ponto sensível por onde poderá ser atingido seriamente pelos que estiverem interessados em superá-lo. E isso porque esse é o seu “calcanhar de Aquiles”.

Escrevendo sobre o mesmo tema, o padre Gabriel, de Pará de Minas, afirma que “Todos temos nossos pontos vulneráveis e é bom cuidarmos para que eles não nos destruam quando atingidos. O inimigo não é bobo. Ele não mira em lugar errado. Para que Ulisses perderia tempo furando a barriga do gigante Polifemo se ele possuía somente um olho no meio da testa? De nada adiantaria flechar Aquiles na testa se apenas um ferimento no calcanhar poderia matá-lo. Por não ter consciência dos pontos fracos, muitas pessoas caem em verdadeiras armadilhas. Assim, irritar o inimigo pode ser uma das formas para atrapalhar o seu discurso. Enrolar uma pessoa pode ser uma estratégia para que ela peça a demissão por si mesma. O ponto fraco pode ser a porta de entrada para a infelicidade. Por isso, nunca é demais o cuidado para com eles. A propósito, você conhece qual é o seu “calcanhar de Aquiles”?