BOI DO CAPITÃO BENTO, O

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6Brejo Bonito é uma pequena localidade pertencente ao município de Januária, no norte de Minas Gerais.

Distante 07 km da sede, este distrito se destaca pela produção de cachaça, pelo casario colonial e por uma joia do barroco mineiro: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída por escravos no final do século 17, sob a orientação dos jesuítas

É lá, na zona rural, que mora o capitão Bento e sua família em uma fazenda que se não é grande também não é essas dessas coisas que fazem os invejosos darem aquele muxoxo de desprezo para esconder a inveja de que não tem coisa igual.

Lá, a família do Capitão Bento criou o Pardinho desde pequeno, como se ele fosse um bichinho de estimação, amamentando-o nas primeiras semanas de vida com mamadeiras feitas em garrafa média de guaraná. O tempo passou, o animal cresceu e ficou apegado àquela gente que também gostava muito dele, e por isso o tratava como o boizinho de estimação de todos da casa.

6Mas ele ficou grande demais, passou a dar trabalho e causar preocupação por causa das crianças, e por isso o capitão Bento resolveu vendê-lo. Ofereceram um bom punhado de mil réis pelo bicho e o capitão não pensou duas vezes. Passou-o adiante. Sua família bem que pediu para que ele não fizesse aquilo, mas o capitão, homem criado no sistema antigo, foi taxativo: “Eu vendi, tá vendido. E ponto final”.

E lá se foi o Pardinho para as terras do novo dono. De onde voltou pouco depois. Vendido novamente, reapareceu logo, logo. Tornou a ser negociado e a retornar. Até que o capitão decidiu matá-lo e enterrá-lo na mata da fazenda. Não adiantou nada. Nas horas altas da noite sua alma tornava a aparecer próximo à casa do capitão Bento, quando então principiava a mugir até o dia amanhecer.

Ainda hoje quem mora lá, ouve o mugido, longo e triste da alma do “Pardinho”.