ARRAIA JAMANTA

Postado por e arquivado em , .

ARRAIA JAMANTA 1Arraias, também chamadas de raias, são peixes de água doce ou salgada. Dividem-se em várias famílias, sendo encontradas nas regiões tropicais de todos os oceanos, porém com maior frequência no hemisfério sul e quase sempre perto dos recifes de coral.

Elas têm esqueleto cartilaginoso de tamanho variável, corpo achatado com nadadeiras peitorais muito desenvolvidas formando uma região onde se prende a cauda robusta ou delgada, geralmente provida de ferrões serrilhados com glândulas que segregam um forte veneno. A boca ventral é transversal e os olhos desprovidos de pálpebras.

A arraia-jamanta (Manta birostris), também conhecida como maroma (nos Açores), morcego-do-mar, peixe-diabo ou raia-diabo, habita as águas quentes de mar aberto. É um animal de grande tamanho e tem o corpo em forma de losango. Mede aproximadamente 3 metros comprimento, 5 metros, ou mais, de envergadura (da ponta de uma asa à outra), e seu peso pode chegar a duas toneladas. Trata-se de uma espécie rara e até perigosa por ser capaz de virar pequenas embarcações. Seu aspecto é singular: da cabeça saem duas barbatanas que parecem chifres, com 1 metro de comprimento e 15 centímetros de largura, aproximadamente, cuja função principal é a de direcionar as presas para a boca, localizada na parte anterior do corpo e provida de dentes pequenos inclinados para traz.

ARRAIA JAMANTA 2A jamanta é uma espécie de peixe cartilagíneo (possui esqueleto formado por cartilagem), pelágico (vive em mar aberto), e pertence à família Myliobathidae, a maior espécie atual de arraias. Ela não tem dentes verdadeiros e alimenta-se de plâncton e pequenos peixes, sendo, portanto, inofensiva. Ocasionalmente pode se aproximar de um barco ou de mergulhadores, assim como também executar “voos” curtos fora da água. De todas as espécies conhecidas de arraias e tubarões, é ela que tem o cérebro de maior tamanho em relação ao próprio corpo.

A arraia jamanta adaptou-se às profundidades da costa. E para se defender do ataque de predadores, geralmente permanece enterrada na areia, diminuindo dessa forma, mas não eliminando, sua vulnerabilidade em relação a prováveis inimigos Para isso ela também desenvolveu um sistema de defesa que consiste numa agulha injetora de veneno localizada na parte final da sua cauda. Esta agulha é periodicamente substituída por outra. Um dado curioso a esse respeito é que as arraias que têm agulha são vivíparas, ou seja, nelas o embrião se desenvolve completamente dentro do organismo da mãe, alimentando-se e recebendo oxigênio diretamente de fontes fisiológicas provenientes do sangue materno. Esse tipo dá origem, geralmente, a uma prole única ou pequena a cada gestação, sendo predominantemente típica em mamíferos. A cria já nasce armada com seus instrumentos de defesa (agulha e veneno), mas para que no momento do parto isso não se transforme em perigo para a mãe, a natureza tomou suas providências: quando o filhote nasce, a consistência desta agulha é baixa, e só vai endurecendo assim que entrar em contato com a água do mar.

ARRAIA JAMANTA 3Este sistema defensivo é usado pela arraia somente quando ela se sente ameaçada. Para os humanos, o veneno não é mortal. As picadas das arraias produzem uma punção dolorosa que aumenta durante os primeiros 30-60 minutos, podendo durar até dois dias. Alguns sintomas de uma picada de arraia são os suores, palidez, náuseas, vômitos e diarreia, além de alterações no ritmo cardíaco.

O maior espécime conhecido desse tipo de arraia tinha mais de 7,6 metros de diâmetro, com um peso de 1.300 kg. Apesar do seu tamanho elas são nadadoras elegantes e parecem voar através da água com suas grandes nadadeiras. Além disso, podem saltar para fora d’água possivelmente como forma de comunicação ou diversão. Raramente são mantidas em cativeiro devido ao seu tamanho. O tempo médio de vida de uma arraia-manta é de 20 anos.

As arraias-manta se alimentam de plâncton, larvas de peixes e afins, filtrados da água que passa através de sua boca e sai de suas guelras enquanto nadam. Uma arraia-manta de tamanho médio pode pegar cerca de 20-30 kg de plâncton por dia. Como outras espécies da família dos tubarões, as arraias-mata precisam nadar para não afundar. Seus maiores predadores são os tubarões e as orças, em algumas circunstâncias.

Apesar de seu tamanho avantajado, não é fácil observar esse animal no mar – nem mesmo para os biólogos. Isso porque as arraias-jamanta vivem em mar aberto e se agregam, com rara frequência, em pouquíssimos lugares do mundo. Segundo o Projeto Mantas do Brasil, que estuda a espécie, em águas marinhas brasileiras elas se encontram em um local, apenas, e somente na época do inverno: o PEMLS – Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, que fica no litoral paulista e é o único parque marinho do Estado de São Paulo.

Para tentar reverter essa situação, o Projeto Mantas do Brasil – que é promovido pelo Instituto Laje Viva, com patrocínio do Programa Petrobras Ambiental – pretende implantar chips em algumas arraias-jamantas que frequentam o PEMLS, para acompanhar, via satélite, a rota migratória desses animais. O projeto ainda realiza, com a ajuda de mergulhadores voluntários, um trabalho de foto-identificação da espécie, visando desvendar alguns dos mistérios dessa espécie e descobrir, por exemplo, por onde elas se deslocam nos oceanos e por que sempre voltam para o litoral paulista no inverno.