AQUELA QUE MATOU O GUARDA

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AQUELA QUE MATOU O GUARDA 1Canjibrina, ou canjebrina, é um dos nomes dados à cachaça no Brasil. Na verdade, os sinônimos e apelidos não comerciais relativos a essa bebida extremamente popular chegam a muitas centenas, e embora a passagem do tempo tenha feito com que muitos deles acabassem sendo esquecidos pelo público consumidor, seus nomes estão registrados em dicionários e livros diversos.

Nesse amplo repertório encontram-se alguns nomes bem curiosos e interessantes, como, por exemplo, abrideira, água-que-passarinho-não-bebe, apaga-tristeza, aquela-que-matou-o-guarda, arrebenta-peito, birinaite, boa-pra-tudo, branquinha, brasileirinha, calibrina, canjebrina, capote-de-pobre, cura-tudo, danada, danadinha e danadona, dona-branca, esquenta-aqui-dentro, estricnina, forra-peito, filha-do-senhor-de-engenho, garapa-doida, levanta-velho, limpa-goela, malvada, mandureba, maria-meu-bem, marvada, mata-paixão, me, meu-consolo, parati, péla-goela, perigosa, pura, purinha e purona, quebra-jejum, saideira, teimosa, talagada, tira-juizo e uma-aí..

A aguardente é produzida através da fermentação de vegetais doces. Já a cachaça, segundo o Decreto 4851, “é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38 a 48% em volume, a 20°C, obtida pela destilação de mosto fermentado de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até 6,0g/L, expressos em sacarose”.

AQUELA QUE MATOU O GUARDA 2Ela é a terceira bebida destilada mais consumida no mundo e a primeira no Brasil. Estima-se que sua produção em nosso país gire em torno de dois bilhões de litros, sendo quase dois terços deles de aguardente industrial, produzido em destilarias, e o restante de cachaça artesanal, feita em pequenos alambiques.

O setor reúne cerca de 40 mil produtores, que disponibilizam no mercado 5 mil marcas.

“Aquela que matou o guarda” é um dos nomes populares dados à cachaça no Brasil. Divulga-se, a respeito, uma história contada por muitos cronistas e pesquisadores que tratam desse assunto, sem que se possa, no entanto, comprovar sua veracidade. Por esse relato toma-se conhecimento de que no período final do colonialismo no Brasil, época em que a Corte portuguesa encontrava-se abrigada no Rio de Janeiro, um dos guardas palacianos manteve relacionamento amoroso com dona Carlota Joaquina, esposa do príncipe regente D. João (do qual vivia praticamente separada).

Para infelicidade do aventureiro militar em questão, sua mulher de nome Canjebrina, que também trabalhava no palácio, ficou sabendo do que acontecia por baixo dos panos, e por isso o matou. Mas nada ficou provado contra ela. Essa informação faz parte do livro “Será o Benedito?”, do escritor mineiro Mário Alberto Campos de Morais Prata, sob o título “Aquela que matou o guarda”, com a observação de que o mesmo texto também é encontrado no livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Morais.

Mario Prata, em crônica publicada no jornal Estado de São Paulo, revelou que “Estou lançando hoje um livro chamado “Mas Será o Benedito?”, uma coletânea com 419 expressões, ditos populares e provérbios brasileiros. Como cada autor ou filólogo tem uma explicação diferente para cada um delas, resolvi inventar as origens por minha conta. Só da letra “A”, tirei estes  sete (conta de mentiroso) exemplos. Mas não leve a sério. É tudo inventado”.