ALVARES CORREIA, Diogo – Caramuru

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DIOGO ALVARES CORREAIgnora-se a data de nascimento desse aventureiro português natural de Viana do Castelo, único sobrevivente de um naufrágio ocorrido nas proximidades da baía de Todos os Santos, na Bahia. Segundo a lenda, ele conseguiu escapar à perseguição dos índios tupinambás graças a um tiro dado com a espingarda que trazia consigo. Assustados, os índios o deixaram vivo e começaram a chamá-lo de Caramuru, nome que davam à moréia, um peixe comum naquela região.

Relatando essa passagem diz um historiador que “Viajando para São Vicente por volta de 1510, o fidalgo da Casa Real, Diogo Álvares, naufragou nas proximidades de Salvador, Bahia. Seus companheiros foram mortos pelos índios tupinambás, mas ele conseguiu sobreviver e passou a viver entre os índios, dos quais recebeu a alcunha de Caramuru, que significa moréia”.

Apesar dessa versão, uma outra explicação mais aceita no Brasil sustenta que o significado da palavra indígena Caramuru é “pau que cospe fogo”, ou então, “homem trovão da morte barulhenta”, isso porque o náufrago havia usado o mosquetão que trazia consigo para atirar em um pássaro, derrubando-o morto. Como os índios nunca haviam visto semelhante coisa, apavoraram-se e não se atreveram a molestar o estranho à sua frente, poupando-lhe a vida.

A partir desse episódio Diogo Álvares Correia passou a viver normalmente entre os tupinambás, adotando seus hábitos e costumes e chegando a casar-se com a índia Paraguaçu, filha de Taparica, um dos principais chefes indígenas. Muitas lendas são contadas a respeito do náufrago português, entre elas a de que entre 1526/1528 ele teria viajado em companhia da mulher para Saint Malo, porto situado no extremo norte da costa leste da Bretanha, onde ela foi batizada com o nome de Catarina Álvares Paraguaçu em homenagem à sua madrinha nessa cerimônia, que era esposa de Jacques Cartier.

Este era um marinheiro que se tornara conhecido pelas três viagens que fizera ao Canadá, no continente americano, em busca de ouro, tornando-se respeitado entre os seus conterrâneos. Cartier havia melhorado seu status social em 1520 ao casar-se com Mary Catherine dês Granches, pertencente a uma família conceituada do lugar, e seu bom nome em Saint-Malo é reconhecido por constar como padrinho ou testemunha em inúmeros registros de batismo.

Em 1536, chegou à região da atual cidade de Salvador o primeiro donatário daquela capitania hereditária, o fidalgo Francisco Pereira Coutinho, que a havia recebido do rei Dom João III. Ele fundou o Arraial do Pereira, localizado nas imediações de onde hoje está a Ladeira da Barra, e que doze anos depois, na época da fundação da cidade, viria a ser chamado de Vila Velha. Segundo os relatos históricos, os índios não gostavam de Pereira Coutinho por causa de sua crueldade e arrogância no trato, razão pela qual aconteceram diversas revoltas indígenas durante o tempo em que ele esteve na vila.

Uma delas o obrigou a refugiar-se em Porto Seguro, juntamente com Diogo Álvares; mas no regresso, quando se encontravam navegando sob forte tormenta na entrada da Baía de Todos os Santos, o barco em que viajavam ficou à deriva, sendo levado pelas ondas e pelo vento até chegar à praia de Itaparica. Nessa ocasião os índios fizeram-nos prisioneiros, mas deram liberdade a Caramuru. Para infelicidade de Francisco Pereira Coutinho, seu destino não poderia ter sido mais inglório, pois foi retalhado e servido pelos selvagens numa festa antropofágica.

As expedições portuguesas que chegaram ao Recôncavo baiano entre 1510 e 1557, com a intenção de colonizar a região, contaram sempre com a ajuda valiosa de Caramuru, que lhes prestou valiosos serviços. Em 1548, época em que Dom João III decidiu instituir o Governo Geral na colônia brasileira, Diogo Álvares recebeu do rei a incumbência de procurar criar as condições necessárias para que a nova expedição fosse bem recebida pelos nativos e colonos, o que deixa transparecer a importância que ele havia alcançado.

 O famoso aventureiro morreu no Brasil em 5 de outubro de 1557, na povoação de Vila Velha, hoje arrabalde de Vitória, cidade de Salvador, Bahia. Três dos seus filhos – Gaspar, Gabriel e Jorge, além de João de Figueiredo, um dos seus genros, foram armados cavaleiros por Tomé de Souza, em reconhecimento aos serviços prestados à Coroa portuguesa..

O livro “Caramuru e Catarina – Lendas e Narrativas sobre e Casa Da Torre de Garcia D Ávila”, de Francisco Antônio Dória, trata da “família primordial do Brasil formada pela união do português Diogo Álvares Caramuru com a princesa índia Paraguaçu Catarina, que é o foco central deste livro de lendas e narrativas fascinantes. Conta-se aqui a história desse clã que foi o de raízes mais antigas do país e também o mais influente na sociedade nacional ao longo de três dos seus cinco séculos de existência”.