ALLAN-KARDEC

Postado por e arquivado em , .

ALLAN KARDEC 1Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, França, 3 de outubro de 1804 – Paris, 31 de março de 1869), foi um pedagogo e escritor francês que sob o pseudônimo de Allan Kardec se tornou conhecido como o codificador do Espiritismo, também denominado de Doutrina Espírita.

Bacharelado primeiramente em Ciências e Letras por uma universidade da Suíça, Hippolyte Rivail formou-se posteriormente em Medicina. Porém, tendo sofrido sérios prejuízos financeiros em virtude do fechamento de um instituto de ensino que havia fundado pouco tempo, antes, ele se viu forçado a sobreviver cuidando da contabilidade de algumas casas comerciais, ao mesmo tempo em que publicava obras didáticas e traduzia autores alemães e ingleses.

Durante esse período o criador da doutrina espírita também trabalhou como professor de um liceu que funcionava na capital francesa, onde dava aulas de Fisiologia, Astronomia, Física e Química. Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público,
mantendo em sua residência, à rua de Sèvres, entre 1835 e 1840, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.

Em determinado momento dessa sua fase de vida ele conheceu Fortier, hipnotizador famoso que assombrava o mundo da época com suas demonstrações de controle da mente de terceiros, tornando-se, por sua causa, freqüentador assíduo das sessões espíritas realizadas costumeiramente na residência de uma família de nome Baudin. A partir dessas visitas, e influenciado pelas observações feitas durante as reuniões a que comparecia, ele iniciou seus estudos sobre esses fenômenos considerados sobrenaturais.

Durante tais pesquisas, Rivail estudou as diversas anotações inseridas em cerca de cinqüenta cadernos que lhe haviam sido encaminhados por outros interessados no assunto, todos eles contendo registros sobre comunicações espíritas, e ao final da leitura desse vasto material publicou suas conclusões em O Livro dos Espíritos, 1857, usando o pseudônimo de Allan-Kardec, que segundo alguns biógrafos, foi adotado pelo professor Rivail a fim de diferenciar a Codificação espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Ainda de acordo com as mesmas fontes, o referido pseudônimo foi escolhido em virtude da revelação feita ao autor por um espírito, de que eles haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Codificador se chamava Allan Kardec.

Depois disso lançou a Revista Espírita,  editadaa partir de 1º de janeiro de 1858, orga-

nizou a Sociedade Espírita de Paris, e obteve através de vários médiuns a quase totalidade dos ensinamentos transcritos em obras como O Livro dos Espíritos, 1861; O Evangelho segundo o Espiritismo, 1864; O Gênese, os Milagres e as Profecias, Segundo o Espiritismo, 1868; O Céu e o Inferno, 1869; e outros, inclusive diversas obras sobre Educação.

ALLAN KARDEC 2Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e defendê-lo dos opositores. Faleceu em Paris aos 64 anos de idade, em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Sobre seu túmulo (na ilustração ao lado) lê-se a inscrição: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”.

Em seu sepultamento, o astrônomo francês e amigo pessoal de Kardec, Camille Flammarion, proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:

“Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!”

Dentre as muitas citações deixadas por Allan-Kardec,
encontra-se a que diz: “A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação.” (O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. 2)

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.