1821 – PROVÍNCIA CISPLATNA

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Província Cisplatina era o nome dado ao território atualmente abrangido pelo Uruguai, quando foi anexado ao Brasil em 1821, até ser reconhecido como país independente, em 1828. Essa anexação foi justificada com a alegação de direitos hereditários que a princesa Carlota Joaquina, esposa de D. João, então príncipe regente de Portugal, teria sob a região. Filha de Carlos IV, rei da Espanha que abdicou da coroa atendendo às imposições de Napoleão Bonaparte, a princesa acalentava inicialmente o sonho de se tornar imperatriz da América Espanhola, mas nada conseguindo, passou a contentar-se com a regência do novo reino pretendido, ou, pelo menos, do Rio da Prata. Seu marido, a princípio, concordou com esses projetos porque imaginou que ao livrar-se da presença da mulher poderia expandir a autoridade de sua dinastia, mas depois retirou o apoio que havia dado a ela.

A colonização das planícies uruguaias se iniciou em 1603, quando o governador da província de Buenos Aires nelas mandou soltar cem cabeças de gado bovino e cem de gado eqüino. Não tardou que gaúchos argentinos se aventurassem por aquelas terras para apresar os animais que ali se multiplicavam livremente, numa ocupação progressiva que assegurava a posse do território à Argentina (e, conseqüentemente, à Espanha). Em 1618 o fato se tornou oficial, com a região passando a ser denominada Banda Oriental do Uruguai. Mas por estar localizada na entrada do estuário da Prata, e sendo por isso uma área estratégica para o controle da navegação e do comércio em toda a bacia platina, ela despertou a cobiça de outros países, entre os quais se incluía o Brasil.

Quando os argentinos se libertaram do domínio espanhol (1810), os uruguaios, liderados por José Gervásio Artigas (1764-1850), fizeram o mesmo, mas sem se submeter diante da Argentina, o que provocou sangrentos conflitos entre as forças dos dois países. Aproveitando-se dessa situação os luso-brasileiros penetraram na Banda Oriental e ocuparam Montevidéu (1820), anexando a região sob o nome de Província Cisplatina. Porém, a resistência dos uruguaios tomou corpo em 1825 com a chamada Revolução dos 33, liderada pelos separatistas uruguaios Juan Antônio Lavalleja e Frutuoso Rivera, que proclamaram a independência da região e declararam a incorporação da Banda Oriental do Uruguai às Províncias Unidas do Rio da Prata, atual Argentina. Com isso os brasileiros acabaram sendo expulsos cerca de dois anos mais tarde, e a resposta do governo imperial brasileiro foi a declaração de guerra aos argentinos.

Com isso o imperador D. Pedro I mandou uma esquadra bloquear a entrada do estuário do rio da Prata, o que provocou como resposta imediata da Argentina o ataque ao litoral sul do Brasil. Apesar do revide, a pressão naval brasileira conseguiu, com o tempo, estrangular o comércio argentino. Paralelamente a essas operações navais, tropas imperiais formadas por voluntários e mercenários contratados na Europa, foram enviadas com o objetivo de sitiar e tomar Montevidéu, mas argentinos e uruguaios as derrotaram na batalha de Sarandi e Passo do Rosário. A dificuldade brasileira em reunir forças suficientes para a guerra, se devia principalmente ao fato de seu governo estar enfrentando, na época, várias rebeliões populares e levantes militares nas províncias, inclusive no Rio de Janeiro.

Aproveitando-se da situação, forças do exército uruguaio e argentino atravessaram o rio da Prata e invadiram o território brasileiro. Indo ao seu encontro, as tropas imperiais comandadas pelo marquês de Barbacena, foram derrotadas em 20.02.1827, na batalha da Ituzaingó, localidade às margens do rio Paraná. Posteriormente, em 07 e 08 de abril, na batalha de Monte Santiago, uma divisão naval brasileira destruiu grande parte da marinha de guerra argentina, o que foi decisivo para equilibrar o curso dos acontecimentos.

Considerando a gravidade da situação, representada não só pelo alto custo que a continuação da guerra acarretava aos confrontantes, mas também pela precariedade militar e política dos países nela envolvidos, França e Inglaterra intervieram no conflito como mediadoras, conseguindo fazer com que Brasil e Argentina, em 27 de agosto de 1828, finalmente reconhecessem a independência da Banda Oriental, que dali em diante passou a chamar-se República Oriental do Uruguai.

Ao perder a Cisplatina o governo imperial deu ainda mais força à insatisfação praticamente generalizada entre os brasileiros, pois o pensamento dominante era o de que a guerra, considerada impopular desde o início e avaliada como uma causa perdida, havia provocado o aumento de impostos e esvaziamento dos cofres públicos, com o conseqüente sacrifício que tais fatos acarretaram à população.